Caligrafias
 
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Release - Publicações Caligrafias
Trecho - Publicações Caligrafias




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Publicações - Caligrafias
( minicontos, 2004 )


Release
Homenageada em 2003 com o Prêmio José Saramago, em Portugal, por seu trabalho ser considerado importante para a divulgação e o enriquecimento do patrimônio literário em língua portuguesa, a escritora brasileira Adriana Lisboa lança agora o seu quarto livro, Caligrafias. Com ilustrações do artista plástico Gianguido Bonfanti, a nova obra compila narrativas curtas escritas entre 1996 e 2004, não necessariamente ficcionais. Trata-se, portanto, de uma nova faceta do talento da autora, que até então só havia publicado romances.

Os textos reunidos em Caligrafias quase sempre partem das banalidades do cotidiano para falar de sentimentos, sensações e pensamentos nada banais. Ao comentar idas ao supermercado, dias de chuva, trechos de estrada e viagens de metrô, Adriana Lisboa consegue expressar idéias que a qualquer um pareceriam inexplicáveis. Seus textos dissecam instantes comuns do dia-a-dia como se encapsulassem o que há de mais humano e relevante neles. Como descrever o segundo em que se descobre que se atropelou um cachorro? Como transformar em palavras o que acontece no breve momento em que uma criança lhe pede esmola? A autora os faz com qualidade literária e sensibilidade ímpares.

As narrativas passam por São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Teresópolis e até mesmo Quênia, EUA e Portugal. São resgatados sonhos, recordações de infância e lembranças esparsas. Quando a autora menciona um passeio por uma grande feira literária ou descreve um pequeno gesto de José Saramago, tem-se a certeza de que Caligrafias é uma obra autobiográfica. Mas é melhor o leitor não se guiar por isso: "Vida e literatura se misturam, verdade e fingimento, de modo que mesmo o autobiográfico ganha traços de ficcional, e vice-versa", diz Adriana.

As últimas linhas do livro talvez sejam as que melhor o representam: "Minha vida é o milagre banal da eternidade feita de presente, passado e futuro simultâneos - substâncias do mesmo sonho. Meus dias são todos de uma vez só. E eu me respondo com interrogações. Existo, até que deixe de existir. A maior transcendência é ter uma pele permeável e ser o que está do lado de dentro e ser o que está do lado de fora também."

Desenhos de Gianguido Bonfanti

Sobre o artista
Gianguido Bonfanti (1948) é pintor, desenhista e gravador. Professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage desde 1978.



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