No plano maior da narrativa, alguns personagens de Sinfonia em branco vão construindo seus próprios relatos, fadados a não ter destinatários. Otacília, Afonso Olímpio, Tomás reescrevem, no interior do círculo traçado pela história das duas irmãs, suas histórias particulares. São relatos montados, não a partir do que aconteceu, mas do que poderia ter acontecido. Breves, intensas e silenciosas narrativas do que não foi, do beijo não recebido, da palavra não dita, do gesto interrompido, do gesto não interrompido.
Como no quadro de Whistler que dá título ao livro, Adriana Lisboa elabora uma "poesia da visão", conferindo ao romance uma leveza poucas vezes encontrada na prosa brasileira das últimas décadas. Sem aderir a modismos estéticos de qualquer natureza, a autora vem moldando uma forma própria de escrever, numa prosa marcada pela habilidade de tratar de forma singela e sedutora temas tão complexos como o desejo, a interdição, a culpa. Com seu novo livro, a escritora reforça o que já se podia entrever no primeiro romance, Os fios da memória, tão bem recebido pela crítica: um estilo refinado, que se ergue nos detalhes, nas filigranas, nas rachaduras, poderosas e sutis, do cotidiano.
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Portugal (Temas e debates, 2005) |
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Itália (Angelica Editore, 2008) |
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