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 ( romance, 2003 )

Inspirado na obra poética de Manuel Bandeira, Um beijo de Colombina engrandece ainda mais o trabalho ficcional de Adriana Lisboa, a primeira brasileira a receber o Prêmio José Saramago. A escritora foi contemplada em 28 de outubro de 2003 com a honraria da Fundação Círculo de Leitores, em Lisboa, por ter sido considerada importante para a divulgação e o enriquecimento do patrimônio literário em língua portuguesa.
Seu terceiro romance é narrado por um homem cuja namorada, Teresa, morreu afogada recentemente. Como quem escreve para assimilar o que aconteceu e organizar os sentimentos, ele vai contando como a conheceu, o que sabe sobre seu passado, como acabou morando com ela, até o dia em que Teresa foi nadar numa praia de Mangaratiba (RJ) e nunca mais voltou - seu corpo não foi encontrado. "Como se afoga uma mulher que morreu afogada?", ele se pergunta, incapaz de pensar em outra coisa que não a trágica perda.
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Ao longo da narrativa, vamos descobrindo pouco a pouco quem era Teresa: uma jovem escritora bissexual que ganhou dois prêmios importantes e que virou moda depois de morta, apontada pela imprensa como a mais importante revelação literária do país nos últimos tempos. Seu próximo livro seria baseado na obra de Manuel Bandeira. E foi um verso do poeta, afixado por ela na porta da geladeira, que fez com que se considerasse a hipótese de suicídio: "Nas ondas da praia, nas ondas do mar, quero ser feliz, quero me afogar."
Há uma frase neste romance que o representa muito bem: "O amor é um milhão de pequenas coisas." As mais simples recordações do narrador vão revelando tudo o que aconteceu, sem pressa. É preciso embarcar em seus devaneios para se compreender qual era exatamente a importância de Teresa em sua vida, o que ele sentia por ela, o quanto ela lhe faz falta. Talvez para conhecer melhor a mulher que perdeu, ou para matar as saudades, ele mergulha no universo de Manuel Bandeira. No final do livro, uma bela surpresa joga nova luz sobre tudo o que foi lido.
Cada capítulo de Um beijo de Colombina tem o nome de um poema de Bandeira, uma das maiores inspirações tanto de Teresa quanto de sua criadora, Adriana Lisboa. O que eram obras-primas em versos no livro Estrela da vida inteira, do poeta, aqui são títulos mais que adequados para as recordações do narrador-personagem: A estrela e o anjo, Maçã, Belo belo, Pierrot místico, Poema do beco e tantos outros. "Primeiro o romance seria uma reconstituição ficcional de um encontro entre Bandeira e Mário de Andrade, no Rio, na década de 40. Depois pensei em escrever vários contos, cada um baseado num poema, e essa idéia evoluiu para a do romance", explica a autora.
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Portugal (Temas e debates, 2005) |
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Suécia (Boca/Pocky, 2005) |
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O cenário dessa jornada literária é o Rio de Janeiro. Não a cidade dos cartões-postais, das poesias e das telenovelas, mas o Rio mais simples dos bares e padarias de Vila Isabel, das travessias das barcas que levam a Niterói, das velhas ruas do Centro, dos engarrafamentos na Praça da Bandeira e da Cinelândia repleta de vendedores ambulantes de livros e discos usados e CDs falsificados.
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