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Adriana Lisboa escreve sobre a dificuldade de comunicação
Aina Pinto

Publicada na revista Isto É em 31.07.2007.

O CAPÍTULO inicial de Rakushisha (Rocco, 132 págs., R$ 24), de Adriana Lisboa, engana. Excessivamente ingênuo, ele apresenta uma mulher ocidental no Japão, caminhando sob chuva e envolta em dramas existenciais. O que parece não andar é o texto. Felizmente, não é a primeira impressão que fica.

A história ganha sabor. A ocidental é Celina, que conhece Haruki, descendente de japoneses, no metrô do Rio de Janeiro. O rapaz, que nunca teve interesse pela cultura de seus antepassados, folheia um livro em japonês cuja versão em português ele ilustrará. Celina o aborda, os dois passam algumas horas juntos, e Haruki a convida para ir ao Japão. Ela aceita.

A dificuldade de comunicação é um dos temas. E não, não se trata apenas da óbvia diferença de idioma. Há “traduções” difíceis entre os personagens. Tanto que o livro é feito dos olhares de Celina e Haruki intercalados. Não há diálogo.

Em meio aos desencontros, surgem trechos do Diário de Bashô, para o qual Haruki fará ilustrações. O poeta japonês, mestre do haikai, escreveu o livro em uma casa onde havia pés de caquis, que foram ao chão durante uma tempestade.

O local passou a ser chamado de Rakushisha, a “casa dos caquis caídos”. O título ganha significado maior à medida que aparecem pessoas ligadas ao passado de Celina e Haruki. Os fantasmas também trazem à tona o impasse sobre quando se deve – ou se pode – voltar.





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